domingo, 21 de fevereiro de 2016

E o blog virou livro!

É mentira! Mas o assunto que mais inspira o autor do blog (e mais trouxe audiência para cá) virou uma publicação bem-humorada com textos inéditos sobre a vida nas duas cidades! Trata-se de Ponte Aérea - Manual de Sobrevivência Entre Rio e São Paulo, do meu pseudônimo, Felipe Frisch, com ilustrações de Rodrigo Bueno.


Esta obra, que já nasce clássica, inclui ainda dois extensos dicionários de expressões típicas do carioquês e do paulistanês. O livro está disponível nas melhores casas do ramo, no site da editora (Matrix) e em e-book no Kindle, no iBooks (Apple iTunes), no Google Play (Android) e no Kobo.

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Prêmio Batoré


Está chegando o fim do ano e, com ele, começam a brotar anúncios pelas ruas e pela internet pedindo o seu voto para o tal "Caboré", ainda que você não seja publicitário, não faça ideia do que se trata, nunca tenha visto sequer uma vez na vida a coruja que dá nome ao prêmio (sim, "caboré" é o nome de um tipo de coruja) e não esteja nem aí para esse mundinho da autobajulação coletiva que é o da publicidade.

Em homenagem a essa bobagem toda com um nome sem sentido (e meio irritante), este blog decidiu criar o Prêmio Batoré, para homenagear aqueles que nada fizeram por alguma categoria de coisas e, claro, pela publicidade, especialmente quando se esperava muito deles.

Faça suas indicações nos comentários!

Outros posts publicitários:
Publicidade desserviço (ou: As piores estratégias de marketing)
Portfólio (ou: Por que não virei publicitário)

Outras homenagens:
Viva o Dia das Crianças!
Feliz Dia dos Irmãos!
Dia de Jornalista
Feliz Dia dos Pais
Feliz Dia do Rock(y)
Dia do Amigo
Homenagem para o Dia das Mães
Para o Dia dos Namorados
Tecnologia para Leigos

quinta-feira, 5 de março de 2015

Mulheres-objetos


Como um fã de trocadilhos (me julguem), eu sempre fiquei intrigado com o quanto os nomes de algumas profissões denotam o machismo inerente a elas, como se fosse um surpresa serem exercidas por mulheres em algum momento da história. E talvez seja mesmo. Como se às mulheres coubessem apenas as carreiras de "dona de casa" e "empregada", já que ambas mudam completamente de sentido quando passadas para o masculino.

Da mesma forma, no sentido inverso, quando uma mulher quer ter a mesma profissão de um músico, por exemplo, a ela resta ser chamada de "música" e, assim, ser igualada ao seu objeto de trabalho. Há quem diga ainda que é possível usar o péssimo "musicista", que serve igualmente para homens e mulheres, embora eu duvide que quem sugere isso utiliza tal substantivo para falar de músicos homens. (Não, chamar a classe de "músicos mulheres" não resolve. Definitivamente, não.)

Enquanto um homem pode se tornar técnico em alguma coisa, a mulher será a própria "técnica". Um homem pode se tornar um político, mas uma mulher será, no máximo, uma "política", o que hoje em dia não é lá muito elogioso.

Se um homem pode ser crítico de cinema, a mulher que tiver a mesma atividade será reconhecida como a própria "crítica", sem que isso seja considerado uma ofensa a ela. Um representante do gênero masculino que passe no concurso público para os Correios poderá virar carteiro, mas só a mulher será chamada de "carteira", mesmo que ela ganhe menos do que o homem que desempenha a mesma profissão.

Você entrega seu carro ao mecânico, mas só pensa na "mecânica" quando se refere à técnica a ser empregada (olha elas aí de novo) em sua oficina. Um torneiro (mecânico, se quiser ser lembrado por todos, pode ainda virar Presidente da República. Já da "torneira", só lembramos quando a água acaba. Por isso mesmo, elas estão em alta hoje.

Um homem que decida animar festas infantis até poderá se tornar um mágico, mas a mulher terá que se transformar na própria mágica para ter a mesma atividade. Da mesma forma, ocorre com a química, a física e matemática, todas mulheres e referidas com letra inicial minúscula, inferior às próprias disciplinas acadêmicas que dão nome às suas profissões.

Mesmo quando falamos de profissões "tipicamente" femininas considerando o padrão conservador, as mulheres são confundidas com objetos. Nas escolas de horário integral, quem faz a refeição das crianças são as merendeiras. Nas escolas particulares, são elas que transportam o lanche da molecada, que as carrega penduradas pelas mãos. Quando aparece um "merendeiro", ele rapidamente é alçado aos títulos de "cozinheiro" ou "chef de cozinha".

O preconceito se manifesta mesmo em profissões menos valorizadas: enquanto o homem que trabalha em portaria é chamado de porteiro, a mulher que desempenhar a mesma função será equiparada à própria "porteira" do prédio. Um homem pode ser churrasqueiro, embora seja a churrasqueira quem faz o trabalho duro. Não à toa, é o mesmo título que será dado à mulher que se atrever a assumir os espetos e facões para assar uma carne no domingo. Isso, sem falar no lamentável equivalente feminino para "lixeiro".

Até quando não há flexão de gênero no nome da profissão, há confusão. No mesmo edifício do porteiro e da porteira, podem trabalhar seguranças homens e mulheres. Mas, quando alguém falar "a segurança", será preciso um esforço a mais de compreensão para o ouvinte entender que estão falando de uma pessoa, e não do serviço prestado.

Não à toa, para assumir o comando de um país de regime presidencialista, a mulher se vê em dúvida sobre que nome dar ao próprio cargo, para não correr o risco de ser confundida com os antecessores, mas também para marcar posição, ao não utilizar o mesmo nome usado por eles.

Nisso, aliás, o Jornalismo é uma das profissões mais igualitárias que existem, assim como a Economia e outras carreiras que são exercidas por profissionais cuja designação é encerrada em "istas", como desenhista, artista, dentista, acupunturista, e por aí vai.

Mas, só no Jornalismo, carreira em que as mulheres já predominam e em que todos são chamados igualmente de "jornalistas", a igualdade chegou aos salários, já que, sob essa desculpa, tanto homens quanto mulheres ganham igualmente mal.

Neste Dia Internacional da Mulher, só desejo que as mulheres deixem de ter suas carreiras confundidas com trocadilhos, e que ninguém mais se surpreenda quando uma mulher disser que ela pode ser tudo o que ela quiser.

Outras homenagens:
Feliz Dia do Homem!
Nesse Dia da Mulher, nosso "obrigado, Buscopan!"
Feliz Adversário, Rio!
Máximas (e mínimas) do Jornalismo
Resoluções para o Ano Novo
Natal é tempo de...
Feliz Natal, Rio! Feliz Natal, São Paulo!
Feliz Dia da República!
Feliz Dia do Zumbi!
Viva o Dia das Crianças!
Feliz Dia dos Irmãos!
Feliz Dia dos Pais
Feliz Dia do Rock(y)
Dia do Amigo
Homenagem para o Dia das Mães
Para o Dia dos Namorados
Tecnologia para Leigos