terça-feira, 10 de setembro de 2013

Manifesto do Orgulho Gordo


Todo gordo já sofreu com a perseguição promovida pela ditadura da magreza. Toda matéria de saúde, nos jornais, revistas ou TV têm sempre como solução para todos os males o seu emagrecimento. Está com colesterol? Emagrece, que melhora. Está brocha? Emagrece, que melhora. Tem pelos no corpo? Emagrece, que eles caem. Está surdo? Emagrece, que melhora. Tem alergia? Emagrece, que cura. Está gordo? Emagrece, que melhora. Se eu soubesse que era tão fácil assim curar qualquer mal, eu mesmo tinha feito medicina. Por conta dessa perseguição, e em homenagem ao Dia do Gordo (sim, hoje), este blog resolveu inovar e provar que um gordinho feliz tem chances de viver muito mais do que um magro tarado por corridas.

1. Um gordo não corre risco de morrer atropelado. Enquanto um magro vai sair correndo no meio dos carros, o gordo sempre vai esperar o sinal/farol fechar antes de atravessar.

2. Gordo de verdade pede comida em casa, não sai para comer. Assim, corre menos risco de ser vítima de um assalto a restaurantes, última moda em São Paulo.

3. Um gordo convicto não malha. Eu nunca vi ninguém morrer numa mesa de bar, mas os casos de enfartes em academias de ginástica são cada vez mais frequentes. Não é à toa que nenhum bar pede atestado médico antes de te liberar um chope ou uma porção de bolinho de bacalhau.

4. Americanos comem bacon e mandam no mundo.

5. Gordos têm uma proteção natural. No caso de uma explosão nuclear, sobreviverão apenas as baratas e os obesos, com sua reserva permanente de nutrientes.

6. Devido à sua proteção natural, um gordo que leve uma facada tem menos probabilidade de morrer do que uma pessoa magra, com seus órgãos todos praticamente expostos. O mesmo vale para atropelamentos e acidentes urbanos similares.

7. Todo mundo não diz que comer legumes e vegetais faz bem? Então. O gordo adora batata e ama comer coisas feitas no óleo de soja.

8. Gordos são, por princípio, pessoas de bem. Você já viu algum traficante, assassino em série, miliciano ou mesmo vilão de novela das nove gordo?

9. O IBGE disse, recentemente, que pouco mais da metade da população brasileira está acima do peso. Portanto, no fundo, é só uma questão de percepção, sobre o co(r)po meio cheio ou meio vazio. E, no fim, é mais legal fazer parte da maioria, não?

10. Todo mundo não diz que é preciso comer a cada duas horas para emagrecer? Então. Gordos comem a cada 2 horas ou 15 minutos.

11. Correr não faz bem? Você já reparou que gordo vive correndo? Seja para atravessar a rua, pegar o ônibus, ir embora... (O que só nos leva à pergunta: por que continuam gordos?) Portanto, gordos são saudáveis.

12. Gordos vivem de dieta. E todos dizem que fazer dieta faz bem para a saúde.

13. Gordos fazem os outros felizes. Se eu estivesse na academia agora, por exemplo, não estava escrevendo essas bobagens.

Outros posts sociológicos:
Ensaio sobre a obesidade
Se não puder emagrecer, engorde seus amigos
Tipos de Espectador
Tipos de Passageiros
Classe média sofre quando...
Irrite um rico
Manifesto sobre a Pobreza
Para quem ainda gosta de comer:
Coxinha solta a franga
Nabo ensina: como fingir que é arroz na bandeja de sushis
Entrevista com: alho-poró, o novo tomate seco
Des(cons)truindo a cozinha contemporânea
Vinagre desabafa
Mais protestos:
Movimento a Favor da Corrupção e da Meritofobia (Mofomerdacorre)
Vídeo do dia: o gigante está adormecendo!
Procurado: Vinagre
Marcha da Pamonha pelo fim do uso de megafones
Apitaço contra alarme de automóvel
Marcha dos Vadios pelo direito do homem de ser sustentado pela mulher
Panelaço contra o uso do coentro

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Portfólio (ou: Por que não virei publicitário)

Slogans sinceros:










Em breve, à venda: carros zero já batidos!







Sistema de pagamento para cerveja:

Slogans otimistas:

Iogurte para quem tem intestino solto:
Porque lactobacilo bom é lactobacilo morto

Homenagem aos professores:

Publicidade espontânea nas redes sociais:

Nome de livro sobre São Paulo:

Alertas para banheiros:

Nome de hospital:
O poder anestésico de uma apóstrofe

Nome para lotérica:
"Pode confiar!"

Cartaz de serviços:

Chamadas para programas e quadros televisivos:


É tosco, mas é meu.


Publicidade voluntária:
(Ou vai dizer que só eu penso em algo assim quando leio este tipo de anúncio?)


Reposicionamento de marca:
"O churrasco da classe média"

Cartazes de filmes:

Beetlejuice ("Os Fantasmas se Divertem" no Brasil, ou "Besouro Suco" na dublagem tosca e saudosa da Sessão da Tarde)

Pegou? Pegou?

Adesivo para automóveis:

Fundo de tela para celulares:
Para não passar vergonha por aí

Campanha eleitoral:

Cartaz para banda:

Adesivo para quem foi (roubado) em shows:

Programa do governo:

Outros posts publicitários:
Como seriam Rio e SP se fossem iguais ao que são na publicidade e na TV
2013: o ano do PT na publicidade
Publicidade desserviço (ou: As piores estratégias de marketing)
Propagandas que dão vergonha alheia
Homenagem ao Dia dos Namorados
Como fazer propaganda de graça para a Apple

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ser jornalista de economia é...

Imagem: marjoriedeane.com
Em homenagem ao Dia Internacional do Jornalista, no próximo dia 8 (já que não existe um "dia do jornalista econômico"), segue uma singela lista deste blog do que significa ser jornalista de economia:

1. Ler placas de carros com as iniciais CVM, FGV, CDI, IPC, IGP, PIB, BMF, EBX, FGC, CDB, BCB, BTG e achar a maior graça.
2. Achar graça na propaganda do Itaú que fala "saca debêntures?".
3. Ter que ouvir todos os amigos da família querendo que você dê "dicas de investimentos", como se você investisse em algo além da poupança quando sobram R$ 10 na sua conta, ou como se você fosse continuar sendo jornalista se realmente soubesse como ganhar dinheiro no mercado financeiro.
4. Ouvir "como assim você não investe em ações?", sempre que você explica que mal consegue pagar suas contas e que, justamente por cobrir economia, você não confia nessa "coisa de mercado", nem tem estômago para isso.
5. Usar o seu melhor terno (o único) e, mesmo assim, ainda ser a pessoa mais mal vestida do evento.
6. Ouvir a recepcionista do evento perguntar "imprensa?" assim que você chega, antes mesmo de se identificar.
7. Achar que é "local" dos melhores restaurantes da cidade, só porque vive na aba das fontes.
8. Escolher a coletiva do dia priorizando a pauta que inclui almoço ou a que tiver o melhor bufê.
9. Gastar todo o primeiro salário do emprego novo para comprar roupas novas e jurar que, agora, vai se vestir igual às suas fontes.
10. Ouvir a voz do ministro da Fazenda no aviso sonoro do trem.
11. Pedir o prato mais caro do restaurante, mesmo tendo alergia a camarão.
12. Sofrer quando a fonte decide não pedir sobremesa.
13. Fazer cara de conteúdo, e fingir que conhece, quando a fonte comenta sobre o lugar para onde ela foi nas últimas férias.
14. Não entender como tanta gente bem informada sobre o mercado cai em roubadas tão previsíveis.
15. Ver os coleguinhas jornalistas de outras áreas achando que você ganha muito mais do que eles.
16. Não derrubar este mito.
17. Fazer a dança da vitória quando recebe a mítica e gigantesca cesta de Natal daquele banco.
18. Tentar transformar em pauta aquelas conversas com o camelô ou com o taxista.
19. Conseguir transformar em pauta aquelas conversas com o camelô e com o taxista.
20. Dar valor a uma coleção de cartões de visitas como se fossem figurinhas do álbum da Copa de 1990. Alguns serão da mesma época, de fato.
21. Sua família achar que você é uma celebridade porque encontra o ministro da Fazenda toda semana.
22. Se achar rico porque vai a um evento cheio de banqueiros.
23. Voltar a se sentir pobre quando conversa com eles.
24. Ouvir executivo achando que você é publicitário dele, te pedindo para fazer uma matéria "bem bonita" sobre a empresa dele.
25. Jurar que, no mês que vem, você muda para o caderno de Cultura.
26. Confundir "milhão" com "bilhão", porque você nunca viu nenhuma das duas quantias mesmo.
27. Ouvir sua família cobrar que você seja um bom investidor, ou que saiba fazer contas complexas de cabeça, afinal "você trabalha com isso". (E só é pobre por acaso.)
28. Virar casa de câmbio, com todo mundo te perguntando se o dólar vai subir mais, se já deve comprar ou não para a viagem que vai fazer no mês que vem.
29. Achar que a ação de uma empresa vai despencar depois de uma matéria sua, e vê-la explodir em alta, ou vice-versa. (Não é à toa que jornalista é honesto, e não usa informação privilegiada para fazer dinheiro no mercado.)
30. Se sentir importante porque você sabe a diferença entre os 500 índices de inflação que existem no Brasil, ou pelo menos o nome "por extenso" deles. E sabe o que é (ao menos, tem uma ideia) superávit primário.
31. Ter que ter sempre uma profunda análise política formada e embasada sobre o governo e "tudo isso que aí está", para responder quando os parentes e os amigos deles perguntarem. (E eles sempre perguntam.)
32. Ligar para a assessoria de imprensa da empresa de telefonia para resolver o problema daquela conta que eles já te cobraram indevidamente cinco vezes.

Outros posts jornalísticos:
Jornalismo, ano 2035
Pautas para a Jornada Mundial da Juventude
"Eu sou feliz sendo jornalista"
Como jornais, sites, revistas e a TV noticiarão o fim do mundo
Profissão: pobre
Eu tô no jornal ("Então, é Natal" para jornalistas)
Jornalismo como ele é
Máximas e mínimas do jornalismo
Dia de Jornalista
Manchetes de Carnaval
Capas de fim de ano: o que querem realmente dizer
Ai se eu escrevo: Michel Teló para Jornalistas
Diálogos que adoraríamos ver na TV
Jornalista de Novela